História da Ale, mãe do Matheus

Quando meu filho Matheus nasceu, montei um quarto como deu, enquanto ele ainda estava na incubadora, pois ele acabou dando as caras antes do tempo. Não era o quarto dos sonhos, mas tinha o necessário, sem culpas, afinal foi uma situação atípica. Sabia que poderia nascer a partir da 36ª semana e é claro que não deixaria para a última hora, mas nunca me passou pela cabeça que a partir da 27º semana já tivesse que ser internada. Enfim!

 

Coisas que podem acontecer, no fim deu tudo certo com meu pequeno, apesar do susto! 
Depois que ele nasceu foram tantos os desafios como mãe de primeira viagem e tantos os cuidados pelo fato de ele ser prematuro extremo, que a última coisa que eu queria pensar era no quarto, apesar de ser apaixonada por esse universo e sempre sonhar que depois de fazer tantos quartinhos por aí, que projetaria o quartinho do meu baby tão sonhado. Não foi o que aconteceu, mas tudo bem! 

O fato é que pensava eu que conseguiria manter a situação do berço, levando por uns quatro anos, sem precisar trocar! Adorava o fato do berço “prender” meu pequeno, pois, para nossa família, sempre ficou bem claro que o lugar de dormir da criança é no seu próprio quarto. Afrouxamos em várias coisas, porque quem já teve filhos bem sabe que o cansaço faz repensarmos várias certezas que tínhamos. Mas nesse quesito consideramos tirar nota 10 com estrelinhas. 


E, assim, o Matheus sempre dormiu no quarto dele desde o seu primeiro dia em casa. Não que isso tenha sido tranquilo para mim, nas duas  primeiras noites fui para o quarto dele dormir no chão duro só com uma cobertinha embaixo, porque morria de medo de deixá-lo sozinho e, na semana seguinte, quase enlouqueci olhando a babá eletrônica de meia em meia hora quando decidi voltar a dormir no meu quarto. Mas, aos poucos, a insegurança foi passando e, em seguida, consegui me acostumar e tudo estava indo bem, já que o pequeno acordava muito pouco de noite. Uma tranquilidade só. 


Até que ele começou a caminhar e eu pensei: Tudo bem, está no berço, ele dá uma choradinha, eu vou até lá e faço ele dormir novamente, sem medo de que saia pela casa perambulando no escuro. Nessa época eu já estava mais preparada, tinha um colchãozinho que colocava no chão para ficar com ele até que ele adormecesse e depois ia para minha cama. 


Mais eis que em um belo dia, com um ano e meio de idade, ele resolveu que não ia mais dormir no berço, ia dormir no meu colchãozinho. Como assim? Mas eu não tinha planejado isso?! Passei por uma confusão, não estava preparada para essa mudança de fase tão cedo!! Mas decidi não atrapalhar essa vontade dele, faz parte do seu desenvolvimento. 


Como falei, mesmo sendo arquiteta, não tinha pensado direito como seria essa mudança. O primeiro quartinho do meu bebê tinha sido resolvido muito às pressas e nunca mais quis pensar nisso, afinal para mim essa fase ainda duraria pelo menos mais uns dois anos! Mas eis que me vejo naquela situação de empurrar o problema para depois. Fiquei com um berço estacionado no quarto mais de ano, sem uso, e meu bebê dormindo no chão! Porque eu não estava organizada e além de eu mesma ter que me preocupar com essa execução, ainda precisava passar por um novo projeto! Ainda se já tivesse pensado em tudo isso lá no início, teria sido muito mais fácil. Vivi na pele o problema da inércia, de saber que tinha que resolver, mas fui adiando e a confusão foi se instalando com os inúmeros brinquedos que meu filho ganhava. 


Quando ele tinha mais de três aninhos, finalmente parei tudo para pensar no novo quarto e montei completo do jeito que eu queria!  Percebi no pequeno uma alegria tão grande, mas tão grande que realmente fiquei com a consciência pesada de não ter tomado essa providência antes. Mas ainda foi em tempo, acredito! Comecei a ver ele todos os dias indo para o cantinho dos livrinhos escolhendo um para eu ler pra ele. Comecei a ver ele criar uma rotina de todos os dias na hora de dormir, antes de apagar a luz, se preocupar em colocar os seus óculos no ganchinho. Comecei a ver ele ir na gavetinha dos brinquedos miúdos e pegar o cestinho dos Hotwheels, sem precisar colocar o quarto abaixo para encontrar todos eles. Quantas mudanças em tão pouco tempo! De repente, a vidinha dele se organizou, ele passou a nos chamar para brincar no quarto dele, ao invés de preferir a sala. Fui percebendo que, finalmente, ele passou a sentir aquele espaço como dele e passou a cuidar das suas coisinhas. 
Sempre acreditei no quanto a arquitetura pode transformar vidas, mas vi na minha própria casa seus efeitos.

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